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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Porta 10 A - Sporting Vs Brondby 1º mão 0-2


Sendo sportinguista de gema, custa-me bastante escrever uma crónica sobre este jogo, pois após ver ontem este triste espectáculo, a minha vontade era nunca mais falar/recordar o que se passou ontem no estádio José de Alvalade.
Mas penso que é importante referir o que correu mal para que o Sporting saísse vergado perante o Brondby.
Mais uma vez o Paulo Sérgio entrou com uma equipa em campo voltada claramente para o ataque jogando com um extremo bem aberto (Valdés) e com Matias Fernandes a 10, na tentativa de "emprestar" melhores soluções á dupla Liedson/Postiga. Até aqui tudo bem, a ideia até nem soa mal, tendo um super João Pereira (o único jogador que esteve em campo ontem) a fazer todo o corredor direito, dava total liberdade a Matias para passear pelo terreno na procura de espaços abertos e de fazer jogo entre-linhas. Afinal o que falhou aqui?
Eu não me considero nenhum "iluminado" nem tão pouco nenhum "Special One" mas acho que qualquer pessoa com dois palmos de testa e que veja futebol á meia dúzia de dias, sabe que para jogar com 4 homens virados completamente para o ataque, contado com mais dois laterais ofensivos (João Pereira é praticamente um extremo) tem que haver "tampões" no meio-campo.
Ora o Sporting jogou com Maniche e André Santos, nenhum deles é trinco nem nenhum deles é 10, são ambos dois médios-centro que quanto muito emprestam uma boa ajuda a um trinco á semelhança do que Raul Meireles fazia o ano passado no porto a auxiliar Fernando no meio-campo portista. Ou seja, espero estar enganado e também ainda é muito cedo para estar a fazer juízos de valor sobre Paulo Sérgio, mas admito que me custa ver este treinador cometer erros atrás de erros em jogos consecutivos, e de natureza básica.
O Brondby por seu turno, demonstrou ser uma equipa muito bem organizada e muito "matreira", trazendo de casa a lição muito bem estudada e fazendo aquilo que lhe competia, explorar a saída rápida para o ataque sem que houvesse a mínima oposição por parte do Sporting. Os golos acabaram por surgir com alguma naturalidade, pois era óbvio que quando os Dinamarqueses saíam para o contra-ataque (transformavam-se rapidamente num 4-3-3 enquanto defendiam num 4-5-1) conseguiam colocar rapidamente quatro ou cinco elementos no meio-campo adversário através de processos de transição bastante simples, mas que faziam a cabeça em água á defesa/meio-campo do Sporting que ficava muitas vezes apenas com três elementos cá atrás (os dois centrais mais o evaldo). Basicamente aquilo que vi ontem, foi um Sporting inseguro, sem saber o que fazer, oferecendo muita garra e muito empenho mas sem cabeça ou um mínimo de lógica. Matias Fernandes tem talento mas tarda em impor-se no Sporting, Liedson está completamente acomodado ao seu lugar, André Santos não me parece ser jogador para o Sporting (quanto muito é um bom suplente), Vuckcevic fica inexplicavelmente pela segunda vez no banco de suplentes quando ele a par de Djálo foram os melhores elementos da pré-época. O Sporting precisa urgentemente de um Ponta de Lança que dê garantia de golos, pois apesar do jogo de ontem ter sido paupérrimo o Sporting ainda dispôs de alguns lances de perigo mas falta quem converta os "ses" em golos.
Tal como referi no inicio da crónica o destaque vai sem dúvida para o João Pereira, jogador que não se deixou afectar pelo sub-rendimento da equipa, e que ainda parece trazer as ideias de braga onde se tornou o grande jogador que é hoje, a ele o meu agradecimento pelo a exibição de ontem, e pela maneira de estar em campo, em que disputa cada lance como se fosse o último da sua vida.